Estiagem provoca o surgimento de bancos de areia no leito do Rio Cubatão e reduz nível de rios da região

Sabesp não fala em racionamento para a população da Baixada Santista, mas admite que a falta de chuva se reflete nesses mananciais

O volume de chuva até 75% abaixo da média histórica para outubro coloca em alerta a captação de água nos mananciais da Baixada Santista. Embora ainda não fale em racionamento, a Sabesp admite que os rios da região apresentam redução do nível por causa da crise hídrica. 

O cenário foi constatado por A Tribuna nos rios Cubatão e Pilões, responsáveis por quase metade do abastecimento regional. A estiagem nos mananciais cubatenses preocupa, pois todo o líquido consumido na Baixada Santista é captado diretamente de rios. Segundo a estatal, os 26 rios locais geram cerca de 10,5 mil litros de água tratada por segundo. 

Somente os dois pontos de captação em Cubatão produzem 4.850 litros/segundo. A situação um pouco mais confortável é oposta à que se vê na Capital. Lá, os sistemas Cantareira e Alto Tietê, na Grande São Paulo, represam a água. Por conta da estiagem, ambos têm índices mais baixos. Apesar da sensível redução de volume dos rios na Baixada Santista, a estatal garante manter o atendimento às residências graças ao sistema integrado. 

A Sabesp não cita números da atual vazão e diz apenas que na baixa temporada o consumo oscila para quase a metade. Porém, especialistas consultados por A Tribuna indicam que o Rio Cubatão (o maior da região) opera com até 33% menos que sua capacidade plena. É o que pode ser visto na escala linimétrica (espécie de régua que mede o volume de rios) instalada próximo à Estação de Tratamento de Água (ETA) Cubatão. O indicador mostrava que o rio tinha pouco mais de um metro de profundidade. 

Normalmente, o nível da água no trecho supera a marca de três metros. Daquela unidade são tratados 4.500 litros de água por segundo, o que representa 42,8% da produção média da região. O cenário é similar ao verificado no ponto de captação no núcleo Água Fria. A estiagem já provoca o surgimento de bancos de areia no leito do Rio Cubatão. 

Boa parte desse problema se dá por conta do assoreamento do curso d’água. A dragagem já foi autorizada pelo governo paulista, mas o processo de escolha da empresa que fará a limpeza não foi finalizado. 

ABASTECIMENTO E CHUVAS - Cubatão é o município da região com a maior média de precipitações pluviométricas. Em 2012choveu 170 dias, somando 2.529,24 milímetros (mais que odobroqueoregistradonacidade de São Paulo). 

A geografia cubatense explica esse volume elevado: cercada pela cadeia montanhosa da Serra do Mar, essa barreira natural aumenta a incidência de chuvas. Neste ano, poucas nuvens carregadas ajudaram a recuperar os volumes dos mananciais utilizados para o abastecimento público. 

Dados da Defesa Civil Estadual indicam que em outubro choveu 40,6 milímetros. Embora ainda falte pouco mais de uma semana para o fim do mês, o volume corresponde a 25% do histórico para o período (162,9%). “A partir de sexta-feira (amanhã),uma frente fria vinda do Sul vai trazer chuva forte para o litoral. Provavelmente, outubro se encerra com índice abaixo da média, mas um pouco mais próximo da marca histórica”, explica o meteorologista do Climatempo Marcelo Pinheiro.

 A Sabesp afirma, por nota, que o abastecimento da Baixada Santista “é beneficiado pela disponibilidade hídrica da região”. Informa também que consegue manter o atendimento às residências com a transferência da água tratada de um município para outro, quando necessário.



Fonte: Jornal A Tribuna
Edição: 212
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